Prosa



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sabe o que o eu queria hoje, agora?! ter, por um instante que fosse, a fé simples de criança. de joelhos juntar as mãos, erguer os olhos em busca do sorriso d’outra criança, que escapuliria dos braços da mãe pra vir brincar comigo.

 

honestamente: não sei que raios de pensamentos foram esses que me ocorreram às 23h dessa segunda-feira...



Escrito por batista filho às 23h07
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nada que te diga, coração! - será diferente do que o vento nos diz, desde o princípio de tudo. inda assim, coração! - digo e respondes num palpitar diferente, pois nossas vozes também cantam no entardecer, quando o vento, por um instante emudece... Ave, Maria...

 

quando fecho os olhos, coração! - fantasmas desassombram o passado: riem da maioria das lágrimas d’outrora. sorrimos também, coração. e é um riso bom: sem medo.

 

abro os olhos, coração. a realidade cobra o seu preço, gritado em incontáveis línguas e meios: sangue, saque, pedofilia... uma igreja a cada esquina: lobos a pastorear ovelhas. em cada esquina, um bar. garrafas esvaziadas sem matar a sede dos solitários... a velha ordem, travestida de novidade, a tudo e todos busca consumir, enquanto se faz noite no coração dos homens.

 

abro os olhos, coração! é noite, dentro de mim. apago as luzes da cidade, dentro de mim. deixo que a luz da lua e das estrelas me guiem, montanha acima. nuvens escuras por vezes tapam estrelas e lua, mas não o brilho dos vaga-lumes, que ora se aproximam, ora se afastam.

 

nada que te diga, coração! - será diferente do que o vento nos diz, desde o princípio de tudo. inda assim, coração! - digo e respondes num palpitar diferente, pois nossas vozes também cantam na noite, quando o vento grita mais alto, pois sabe não demora amanhecer.



Escrito por batista filho às 08h26
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 “sonho de árvore não morre “, dissera à relva, num tempo anterior às águas deixarem de correr, represadas pelos homens.

 

pássaros brotam dos galhos secos. em meio à imensidão do lago cantam e catam peixes.

 

(noutro continente, num cemitério esquecido pelos homens, borboletas, pássaros e bichos passeiam por entre lápides tombadas. anjos de asas quebradas retornam ao pó.)

 

“sonho de árvore não morre... só a semente, pra que o sonho floresça e o vento se encarregue de espalhar miríades de sonhos a clarear noites, dantes medonhas“, dissera a velha árvore, num tempo anterior às águas deixarem de correr, represadas pelos homens. agora não diz nada. dos seus galhos secos brotam pássaros. o seu espírito paira na imensidão do lago.



Escrito por batista filho às 07h37
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batista filho

brasileiro, parnaibano

"um raio de sol já basta para acender o fogaréu do dia"


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