...

o mar é música

ausência e lar:

sempre!

 

rasa-me o esvoaçar dos minutos

que tentei roubar ao tempo

sem atinar porquê.

 

(não fora a lua gritar teu nome

cego

eternamente

ver-me-ia.)

 

o vento é música

ausência e lar:

sempre!

 

(como o vento não escolhe qual folha tocar primeiro

não escolho palavras

pra externar o que ora sinto

... existe uma várzea

onde lembranças inquietas

agitam as folhas do carnaubal.)

 

 

n'algum lugar

(dentro e fora

de mim

de ti

de nós)

o silêncio canta

tão baixinho

que a maré

comovida

se detém

antes da hora

... e a manhã

sonolenta

encomprida a noite fria.

 

sonhas.

no sonho acarinhas minh’alma.

no acalanto do teu olhar adormeço.

 

devolvo-te a cruz

banhada em prata

que nem todo o tesouro de espanha pode comprar.

faze da cruz fogueira

farol a nos guiar pra nós.