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 “sonho de árvore não morre “, dissera à relva, num tempo anterior às águas deixarem de correr, represadas pelos homens.

 

pássaros brotam dos galhos secos. em meio à imensidão do lago cantam e catam peixes.

 

(noutro continente, num cemitério esquecido pelos homens, borboletas, pássaros e bichos passeiam por entre lápides tombadas. anjos de asas quebradas retornam ao pó.)

 

“sonho de árvore não morre... só a semente, pra que o sonho floresça e o vento se encarregue de espalhar miríades de sonhos a clarear noites, dantes medonhas“, dissera a velha árvore, num tempo anterior às águas deixarem de correr, represadas pelos homens. agora não diz nada. dos seus galhos secos brotam pássaros. o seu espírito paira na imensidão do lago.