Caminhando pelas Geraes

 

 

no alto das serras, até aonde a vista desalcança

navego nesse mar das Geraes

(recolho das lembranças tuas lágrimas

e as replanto numa vereda pequenina)

o cruzeiro, sombreando a erva rala

debalde tenta abraçar os que de há muito se foram

ou consolar os que pranteiam ausências

jazigos: laivos de desassossego

há quem chore seus mortos. também os pranteio, às vezes

mas não por julgá-los mortos: eles vivem, inclusive, dentro de mim

apresso o passo. o latido d’um cão

assusta o galo-da-serra, que voa pr’outro galho

trinca-ferro não é doido de trincar ferro

só trinca fruta... quando encontra

o canto do azulão pinta de azul o cinza do céu

um bando de pássaros pretos clareia o dia com o seu cantar

juriti jura amor ao beija-flor, que passa rápido

não sem antes jogar um beijo com a ponta da asa

canarinho, num canto estalado, constrói seu ninho

enquanto um gavião espreita - lá do alto

tropeço... desalinho meus pensamentos

sei que pássaro sem asas não voa. já voei

por ora, caminho. desaprendi o voo

não vejo carro de boi, mas ouço a sua dolência

na memória do vento: subindo e descendo a chapada

(vejo bois, a perder de conta. não resisto à tentação

... não faz diferença se em Minas, Piauí ou Goiás campeá-los

por que não? sabe-se lá, quando poderei fazê-lo de novo?!)

onde não se via agora se vê

motocicletas substituindo cavalos, no leva-e-trás dos trabalhadores

(percebo o quão obsoleto me tornei. rio de mim para eu mesmo

ao pensar que nenhuma buzina substitui o encanto de um relincho)

cada passo me torna parte da estrada

poeira entranhada na garganta e em minh’alma

minh’alma, onde está? (alma de minh’alma passeia ao longe)

nessas Geraes, por que tantas lápides, meu Deus?!... caminho(s) sem fim

“onde há fumaça”... há gente! sinto o cheiro... cozinham sonhos

com feijão, maxixe, galinha com quiabo, arroz com pequi

gritos, risos: crianças. puro contentamento no terreiro, lá embaixo

... sonhos, risos, feijão, maxixe, galinha, quiabo, arroz, pequi

tudo misturado na fumaça

(não gosto de maxixe, quiabo e pequi. há quem goste)

 sopra o vento de julho: ora forte, certeza de frio.

sopra o vento de julho: ora brisa, beijo ansiado

nas águas calmas, d’uma represa além

nuvens-crianças, fofinhas e esvoaçantes

desenham sonhos num céu de magia - azul, intenso e claro

... claro azul intenso espelhado em olhos cansados que se iluminam de Paz

lentamente me despeço das Geraes

(replantei tuas lágrimas numa vereda pequenina, ligeira, límpida, doce e bela... o sal?! – nas mãos e na boca, mas não há tristeza: só o teu sabor e cheiro de esperança e flores)



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 23h21
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...

A HISTÓRIA DA RAINHA PLANTA CARNÍVORA*

Ian Braga Alves Moreira, 08 anos, Sala de Recursos de Altas Habilidades em Língua Portuguesa e Artes Visuais

 

Era uma vez uma pequena planta carnívora. As outras eram enormes e não gostavam dela.

Ela fugiu de casa e foi para a floresta viver aventuras. Ela retirou as próprias raízes e foi andando até chegar à floresta. Ela descobriu o rei das plantas carnívoras. Ele morava em seu castelo de plantas.

O reino era feito de melancias, cravo de morto, morangueiros, parreiras, macieiras. O rei estava prestes a morrer. Ele foi picado por uma abelha morta-viva que sugou todos os seus nutrientes. O rei deu o trono para a pequena planta carnívora: Lindinha era o seu nome. Ele percebeu uma coisa muito linda na Lindinha, uma coisa no interior dela: ela tinha a beleza de uma rainha.

O rei deu um brilho mágico para Lindinha e ela acabou se transformando na mais linda planta carnívora, parecida com a rainha, que havia morrido há algum tempo.

O rei virou cinza, pois os seus nutrientes se acabaram.

                                                        

Lindinha foi em busca do líquido mágico das plantas, para ressuscitá-lo. Ela passou pela floresta de espinhos e quase foi espetada por eles. Ela saiu e foi para o pântano de piche. Ela disse:

- Estou morrendo de medo!

Ela viu um monstro de piche, horroroso! Ela se lembrou das jóias mágicas da família dela. A família dela era a única que possuía aquelas jóias. Então a pedra-jóia roxa brilhou, flutuou e entrou no monstro de piche e aí todo o piche virou água.

Apareceu um barco pirata, do nada.

Lindinha disse:

- Que sorte a minha! Essa pedra mágica me fez coisas boas.

A pedra mágica voou para o bolso de Lindinha. Ela foi navegando até o final do rio, no barco.

Ela encontrou a cidade de gelo e estava tão fria que quase congelou.

Ela pegou a pedra-jóia azul que trouxe o sol para aquele lugar. O gelo se derreteu e apareceu a cidade mais linda do mundo.

Ela andou, andou até seu último objetivo, a cidade Arco-íris. Ela não encontrou o arco-íris que levava até o pote de líquido mágico no formato de uma estrela.

Ela se lembrou da penúltima pedra. A pedra-jóia colorida que se transformou num lindo arco-íris e a pedra voltou para o seu bolso. Ela andou pelo arco-íris e finalmente encontrou o pote onde estava o líquido.

Ela não sabia como voltar para casa. Ela então usou a última pedra que a levou de volta ao castelo. Ela jogou o líquido nas cinzas do rei e ele voltou à vida e ele a pediu em casamento. Ela se tornou a rainha das plantas carnívoras. As plantas começaram a respeitá-la e ela teve milhões de aventuras junto do seu rei.

 

*Extraído do livro “Poesia e Prosa II: Projeto Rádio Diversidade”, uma realização da Rádio Utopia FM, em parceria com Escolas Públicas de Planaltina e patrocínio do Ministério da Cultura. O show de lançamento ocorreu no dia 16 de outubro de 2010, no estacionamento da Universidade de Brasília, campus Planaltina. Logo mais publicarei fotos e textos sobre o evento/livro.



Categoria: Prosa
Escrito por batista filho às 00h05
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...

do dia-a-dia

fiz caderno

dos sonhos e (ir)realizações

versos

menos palavras, não menos versos

quem me lê? não sei

... nem sei se me importo

escrevo-me no que faço

simplesmente



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 00h57
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...

  

 

Não, não foi um "adeus!":

foi só um “tchau!”, um “até logo!”

... nem por isso doeu menos, meu Anjo.

 

Se penso nos dias como medida do tempo

convivemos pouco: quatro anos, apenas

... como coube tanto, em tão pouco tempo?!

 

Sem ter a preocupação de me ensinar nada

me ensinaste a compreender melhor as dificuldades alheias.

Sem ter a preocupação de me ensinar nada

me ensinaste que a vida de uma formiga,

de um pássaro, de um riacho ou de uma árvore torta

são tão importantes quanto a vida de qualquer mulher ou homem.

 

Me pergunto: como coube tanto, em tão pouco tempo?!

 

A percepção da tua presença, Amiga

chegava sempre um pouco antes dos teus passos na escada,

ou do teu riso e da tua voz nos meus ouvidos

... não há um só dia em que não espere tornar a ouvi-los.

 

Sabe, tombaste tão devagarinho, que pensei, por um momento

tratar-se de mais uma brincadeira tua.

Tombaste tão devagarinho, que pensei, por um momento

buscavas tão somente um dengo, nos braços desse velho amigo.

 

Depois de um brevíssimo sofrimento

pensei que a reanimação, que logrei intentar, surtira efeito.

Voltaste a respirar: a princípio, com sofreguidão

... depois, cada vez mais sutilmente, até cessar.

Enquanto isso, dizia do carinho por ti e acariciava o teu rosto.

Lá no fundo sabia que já não estavas mais aqui... mas como queria que estivesses!

Na corrida até o hospital em nenhum momento parei de falar contigo

... ou de pedir a Deus que não te levasse ainda, que esperasse um pouco mais.

Lá do fundo sabia que já não estavas mais aqui... mas como queria que estivesses!

 

(Se até Cristo chorou a falta do amigo Lázaro, por que comigo seria diferente?!)

 

Voltaste pras estrelas quando os bem-te-vis mais cantavam.

Voltaste pras estrelas na floração dos Ipês Amarelos.

Voltaste pras estrelas com o sol mais forte

(logo depois do meio-dia).

Foi no meu colo e no colo de minha filha

que sorveste pela última vez o ar que ora respiro.

 

Amiga querida:

foste na época em que o céu de Brasília é mais bonito e claro... e a secura mais cruel!

Os sabiás que cantam no Plano Piloto são os mesmos que alegram Planaltina

sabias disso? Não?! Sim?! Há, há, há!!!

Adoro o teu riso... aliás, todo mundo adora o teu riso.

Os bem-te-vis voam pra todo lado e cantam por tudo ou a pretexto de nada.

A cor que mais se destaca nesses passarinhos é o amarelo:

amarelo tão vivo quanto as flores do Ipê.

Sempre amei os Ipês, Amiga. Principalmente os Amarelos. Te falei sobre isso.

Além das árvores tortas do Cerrado, amavas, de um modo especial

a florada dos Ipês Amarelos – me confessaste um dia.

 

Até breve, Princesa!

Voltaste pras estrelas, viajante que és

... contudo, ninguém parte de todo

(nem tu, Juliana!).

De todo, ninguém fica

(tampouco eu).

 

Quem parte se parte. Leva e deixa - pedaços.

 

Quem fica, vai: na vontade!

Também se reparte em mil pe-da-ços, como a folhagem do Ipê, antes da florada.

... Até que um dia, quem parte e quem fica se (re)encontram.

E riem e choram, de pura felicidade. E correm e brincam. E contam das amizades partilhadas

... e mesmo sem asas, voam com os bem-te-vis até os Ipês Amarelos.

 

... Por tudo isso, Juju, jamais te direi “adeus!”

Digo “tchau!” ou “até logo!”

... nem por isso dói menos.

 

 

 

 



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 00h21
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...

Até um dia, Amiga querida.

Boa viagem, Ju!



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 23h37
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...

o mar é música

ausência e lar:

sempre!

 

rasa-me o esvoaçar dos minutos

que tentei roubar ao tempo

sem atinar porquê.

 

(não fora a lua gritar teu nome

cego

eternamente

ver-me-ia.)

 

o vento é música

ausência e lar:

sempre!

 

(como o vento não escolhe qual folha tocar primeiro

não escolho palavras

pra externar o que ora sinto

... existe uma várzea

onde lembranças inquietas

agitam as folhas do carnaubal.)

 

 

n'algum lugar

(dentro e fora

de mim

de ti

de nós)

o silêncio canta

tão baixinho

que a maré

comovida

se detém

antes da hora

... e a manhã

sonolenta

encomprida a noite fria.

 

sonhas.

no sonho acarinhas minh’alma.

no acalanto do teu olhar adormeço.

 

devolvo-te a cruz

banhada em prata

que nem todo o tesouro de espanha pode comprar.

faze da cruz fogueira

farol a nos guiar pra nós.



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 23h41
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de dedos, mãos, linhas, tempo, renda... e solidão

 

 

com teus dedos

e mãos

bilros

e linhas

tecias

rendas

alheias

 

tuas

só as mãos

e dedos

e sonhos

tecidos nos dias compridos

e nas noites insones

 

das linhas

tuas

somente as das mãos

calejadas

ternas

a traçar

vôos longínquos

a singrar

mares, rios e igarapés

prenhes de sonhos

livres e livra(dores)

 

bilros

linhas

e renda

a desafiar o tempo

a desfiar o tempo

que se perdeu

nas linhas

das mãos

tão tuas

tão sós

 

nós

cegos

onde nos perdemos?!

 

(para alguns blogs que se foram e deixaram uma saudade infinda. para amigos(as) blogueiros(as) que permanecem, resistem com a força das palavras, com o carinho da poesia. meu abraço fraterno.)



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 22h22
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...

como quem tem pressa

dos que não esperam chegar

como quem tem sede e fome

dos que só têm lembranças de chuva e pão

segue as trilhas esculpidas nas palmas das mãos

 

as dores, os gritos

longe, longe, perto, perto

treme os lábios, trêmulas carnes

treme a terra... queria ir para o mar

lá, onde o céu, despido de estrelas, vem se banhar

 

queria (?) agradecer as mãos                                                                                                  

que lhe oferecem biscoitos e água

o que vê não permite com palavras dizer                                                     

o que lhe queima a alma. olha, tão somente

 

levanta e parte

e nesse simples ato

sente que se parte, devagarinho

 

como quem desperta sem saber

se é noite, se é dia. só sabe do peso

do medo: da noite, durante o dia. pesadelo

 

lábios ressequidos                   

dizem o que não pode calar                                                              

mirando o olhar dos passantes

que só passam. não param pra enxergar

 

um espelho partido      

multiplica sua miséria em cacos sem conta

e nem faz conta de onde o céu desce pro mar

ou se é o mar que alça vôo, pra lá das nuvens fugidias

                                                                                                            

como quem tem pressa                                                                          

dos que não esperam chegar

como quem tem sede e fome

dos que só têm lembranças de chuva e de pão

segue as trilhas esculpidas nas palmas das mãos

 

do nada brota um riso                                                                   

como um sismo. gargalhada

é um menino que corre. dois anos, se muito

outro riso. outro sismo. uma menina. se muito, três anos

os três se olham. riem. gargalham. chove (muito): é Deus, chorando                             

 

mas Deus está longe

e quem os vê, nas telinhas

mais longe ainda... o que se há de fazer?!

pagar o preço dos ideais de liberdade conquistados muito atrás?

ah, filhos da noite: é na escuridão que as estrelas brilham mais forte

 

não querem vê-los como realmente são

mulheres e homens: livres e precursores

os grilhões d’outrora foram tão somente substituídos

embargos econômicos... destruição de culturas primevas

 

a solidariedade?! existe e é bela

que a gratidão seja como a amizade

e não uma forma de edificar novas prisões

 

do nada brota um riso  

como um sismo. gargalhada

é um menino que corre. dois anos, se muito

outro riso. outro sismo. uma menina. se muito, três anos

os três se olham. riem. gargalham. reinventam a Esperança

 

como quem tem pressa                                                                          

dos que não esperam chegar

como quem tem sede e fome

dos que só têm lembranças de chuva e de pão                                        

seguem as trilhas esculpidas nas palmas das mãos



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 09h42
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Canção primeira

Geraldo Vandré

 

A canção primeira
como a derradeira
não vá te negar

A canção primeira
sem eira, nem beira
é só te lembrar

Na viola amiga
que é chegada antiga
pra te acompanhar

Da canção primeira
livre e livradeira
que eu quero te dar

Compreende amiga
que eu não marque ainda
quando te encontrar

Que eu faça cumprida
tanto quanto a vida
que foi só cantar

Dessa história antiga
às vezes cantiga
pra eu poder contar

De ti companheira
tu, de corpo inteira
como eu pude amar

E perdoa, amiga
que eu não vá correndo
hoje te abraçar

Nem cortar caminho
nessa caminhada
que é pra te encontrar

Que eu guarde a esperança
que vem vindo o dia
de poder voltar

Sem ter na chegada
que morrer, amada
ou de amor matar.



Escrito por batista filho às 09h26
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...

 

quem

criou

a pedra

que afia

o fio da navalha

que corta minh’alma

e meus versos entalha?

 

quem

acende o sol

dia após dia

pinta arco-íris

na grama orvalhada

dissipa o breu da noite

com uma luz prateada?

 

quem

acendeu

e apagou

o fio da vida

de uma doce menina

que na sua breve existência

tornou o meu mundo melhor e a vida tão linda?

 

quem

me fez

esquecer

o seu rosto

se ainda acordo

chamando o seu nome

e mesmo acordado parece que sonho

com a gente brincando de boca-de-forno

crianças de novo, na rua Humberto de Campos...?!

 Obs. Normalmente, no início do ano, republico este poema, tentativa de matar a saudade de Gorete, minha prima, que se foi tão cedo.



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 08h21
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Brasília-Brasil, 9 de dezembro de 2009, em frente ao Tribunal de Justiça

da memória que não (há) mais - uivos loucos buscam razão na força bruta

atrás dos sinos que já não badalam... a não ser na memória atraiçoada pelo tempo

.

(en)cantos rebeldes

despertam a manhã

tangem as brumas do esquecimento

.

numa

manhã

qualquer

um quê

nem sei

.

sem

data

ou

hora

risos

correm pro rio

que não mais ri

quando recolhe

as histórias

das lavadeiras

o canto das carpideiras

as lembranças

dum gato vadio

perambulando ao léu

.

há... percebes?!

mesmo agora

quando tudo parece ruir

jovens roseiras

teimosas roseiras

a florir

.

(e nem mesmo é Abril...)

.

Quem sonhou

Só vale se já sonhou demais

Vertente de muitas gerações

Gravado em nossos corações

Um nome se escreve fundo

As canções

Em nossa memória vão ficar

Profundas raízes vão crescer

A luz das pessoas me faz crer

Eu sinto que vamos juntos

Ó, nem o tempo, amigo

Nem a força bruta pode um sonho apagar

 (Enxerto da “Canção do Novo Mundo”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

 

.

Obs. As fotos acima são de 9 dezembro 2009 - manifestação contra o governador do DF, Arruda e toda a sua máfia (nas fotos estou de camisa branca e chapéu vermelho... vermelhos: os cabelos de uma manifestante mui especial para mim, há menos de dois metros de distância... vermelho: o sangue dos jovens estudantes da UnB, que parcela conheço pelo nome, refiro aos que se encontram nessa linha de frente... vermelho: o sangue dos soldados, adestrados para bater sem refletir... honestamente, senti dó de cada um deles - momentaneamente desprovidos da capacidade de reconhecer a humanidade nos outros).

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1409704-10406,00-POLICIA+DO+DF+AVANCA+COM+CAVALOS+CONTRA+ESTUDANTES.html

http://www.correioweb.com.br/tvbrasilia/index.htm?id=3641

http://www.youtube.com/watch?v=d1xbxYC2W38

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1174310-7823-ORDEM+DOS+ADVOGADOS+COBRA+EXPLICACOES+DA+PM+SOBRE+O+CONFRONTO+COM+MANIFESTANTES,00.html

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1176067-7823-MP+COMECA+A+OUVIR+ENVOLVIDOS+EM+CONFRONTO+ENTRE+POLICIAIS+E+MANIFESTANTES,00.html

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1411225-10406,00-ACAO+POLICIAL+EM+PROTESTO+NO+DF+SERA+INVESTIGADA.html

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=2745



Escrito por batista filho às 01h17
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...

A poesia pode ser a mão que revida um golpe, sem sequer erguer um dedo.

 

Não importa a procela,

A solidão d’uma noite

Vazia de estrelas ou luar.

Entre vagalhões e calmarias,

Gritando com medo e êxtase,

A poesia, um navegar impreciso,

Realimenta a esperança na manhã que se anuncia.

 

É preciso:

 

Para além das lições do dia-a-dia,

Reencontrar as que jazem adormecidas;

Entender as razões que obscurecem o nosso

Caminho, mas não se deter, por causa delas.

Isso, jamais!

Somos navegantes das estrelas: timoneiros do próprio destino,

O sonho de nós mesmos, aprisionados em invólucros de barro.

 

Viver?! Não é preciso: é imprescindível! – assim como a Poesia!!!

 

................................

 

Amigas e Amigos: estarei (mais) ausente. Um abraço fraterno a quem passar por aqui.



Escrito por batista filho às 21h19
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...

 

uma casa

de taipa

ou

de pedra

frágil taipa

dura pedra

é antes

e sempre

reflexo d'um sonho partilhado.

 

numa casa

sonho ampliado

por menor que seja

cabe o mundo inteiro

qual poema

que diga do botão

(promessa de flor)

qual bordado

no pano barato

que indelével conserva

o milagre de mãos vincadas.

...

que direi das casas que suspiram saudade dos passos que ecoam em mim?!



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 23h34
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...

nunca culpei o povo judeu pelo assassinato de Jesus, o Cristo, filho de Maria e José. muitos crêem que Ele nem existiu. identifiquei-me com Sua causa desde há muito. quando criança li sobre Anne Frank. muitos não crêem em sua existência. sofri e solidarizei-me com ela. li artigos/livros e assisti documentários/filmes sobre o Holocausto. muitos acreditam que o Holocausto não passa de um embuste. sei que a barbárie humana foi responsável pela morte de milhões de judeus - e não é por causa da grande mídia, continuamente discorrendo sobre o assunto -, que nunca esquecerei esse fato: assim como jamais esquecerei o assassinato de milhões e milhões de nativos das Américas em nome da ganância e de uma falsa fé apregoada por "católicos" e "protestantes"... isso sem falar nas populações de África e Austrália... nem por isso culpo os povos europeus ou católicos e protestantes, pelo sangue derramado em todos os quadrantes do mundo... poderia parar por aqui, se a memória não guardasse os sonhos irrealizados de milhares e milhares de habitantes de Hiroshima/Nagasaki (1945) ou milhões de sonhos vietnamitas "desfolhados" (década de 60). nem isso me fez culpar o povo norte-americano. obviamente existem pessoas responsáveis por todas essas atrocidades, mas não posso julgar todo um povo pelos desatinos ordenados e construídos por seus dirigentes e disseminados mentirosamente pelos meios de comunicação, como foi o caso da "existência" de armamentos de destruição em massa, que "justificou" a invasão do Iraque...

sempre acreditei que os judeus têm direito ao seu próprio território, ao seu próprio país. assim como o povo palestino. ou qualquer outro povo. contudo, é inaceitável ver/ouvir/ler a grande mídia reproduzindo que Israel tem razão nesse novo genocídio. lamento. e com tristeza reconheço que aprenderam direitinho a lição com nazistas e todos aqueles e aquelas, que ao julgarem estar acima dos outros, por acreditarem que são melhores ou mais fortes, na realidade desumanizam-se e demonstram o quão fracos são.

por uns e outros, humildemente rezo. e no microcosmo do meu mundo - luto -, diuturnamente, contra tais fatos.

FOLHAS ETÉREAS (republicação)

qual a diferença do choro de uma mãe judia para o choro de uma mãe palestina?

A ciência nos faz conhecer melhor as estrelas, mas não amá-las. O egoísmo nos impede de reconhecer a humanidade... nos outros!!!

Não posso chorar todas as lágrimas, ou sorrir todos os risos, ou sonhar todos os sonhos do mundo. Por isso, quando alguém morre, morrem sonhos - jamais sonhados; risos se transformam em ríctus de dor. E com isso, também morro, um pouco, num mar de lágrimas tristes.

Não há virtude na guerra, nem heroísmo em matar. As armas?! As armas são cegas: não distinguem um canhão - de uma mãe, com seu filho no colo. Guerreiros são cegos e covardes: deixam que outros enxerguem por eles, o que não suportariam enxergar; deixam que outros justifiquem, o que não ousariam justificar. Guerreiros não plantam nem colhem arroz, feijão ou trigo. Semeiam destruição e selvageria. Colhem medalhas e ódios. Guerreiros obedecem aos seus senhores - que sequer vão aos campos de batalha -, pois são mais covardes ainda: tremem de medo de enfrentar a vida! (Mortos insepultos, tais senhores tentam suprimir qualquer expressão da vida, porque sabem - toda guerra é suicida.)

Não posso chorar as lágrimas, ou sorrir os risos, ou sonhar todos os sonhos dos homens. Posso dizer "não!" a quem assassina, rouba e mente em nome da liberdade, justiça e democracia. Posso escrever essas palavras nas folhas etéreas do vento, na esperança que alcance corações e mentes de boa vontade.



Escrito por batista filho às 14h20
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...

nada que te diga

por hora

mudará

a cor do céu

a insônia inquieta

o movimento das marés

o vôo das borboletas e pássaros

... o rumo dos nossos passos trôpegos

 

contudo

houve um tempo

em que dizíamos

palavras de pintar o céu

da cor que nossa imaginação sonhasse

houve um tempo

em que as noites eram pequenas

para o brilho d’estrelas em nosso olhar

houve um tempo

em que o mar cabia em nossas lágrimas

e mesmo sem asas, voávamos com borboletas e pássaros

 

... houve um tempo

 

por hora, nada que te diga mudará

a cor do céu

a insônia inquieta

o movimento das marés

o vôo das borboletas e pássaros

... ind'assim

precisamos seguir

mesmo com passos trôpegos

ao invés de quedarmos

pelo que se foi



Categoria: Poesia
Escrito por batista filho às 07h38
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